O Eu, sob influência do Supereu e da realidade, visa amordaçar o Id através da Repressão. Porém, o que é reprimido volta sob vias pelas quais o Eu não tem poder, assim criando uma aliança entre o impulso reprimido e uma substituição de uma ideia por outra que também o represente, que se impõe ao Eu como sintoma. Contudo, a neurose não pára aí, isso ainda não fecha o quadro da neurose. O Eu ainda busca ações contra o sintoma e disso decorre que o mesmo Eu passe, então, a lançar mão do contrainvestimento da Resistência.

Minha suspeita é que se para Freud, Resistência é resistência a se lembrar, e o Eu continua seu processo contra o sintoma, então, a Resistência e a perda de parte da realidade para o neurótico estão entrelaçados, pois, a perda de parte da realidade ocorre lá onde se produziu a Repressão instintual. Nesse sentido, resistência e adoecimento neurótico estão interligados, pois se vêem conectados no que se diz respeito a uma perda de algo da realidade.

Mais ou menos como se onde tem sintoma há perda de parte da realidade por haver uma resistência operando também. Por exemplo, o Eu reprime o impulso de amor a alguém, por questões da realidade, e faz resistência (esquecimento) da cena onde isso se deu.

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A direção do tratamento

Índices guias

Retificação subjetiva: A forma como o sujeito se (re)coloca frente a seu sintoma.

Qual relação teria entre a interpretação, a retificação subjetiva e de que lugar se põe o analista?

Desejo do analista: nada tem a ver com o desejo pessoal do analista; sino una función de operación clínica.

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Transferência 

Uma das transferências, a que dá início a análise, seria aquela em que o analisando empresta ao analista (enquanto Outro) significantes que lhes faltam, as marcas singulares de sua castração, com o intuito de colocar o analista como aquele que poderá completar o paciente – aqui se poderia pensar ilusoriamente no analista como Outro Absoluto, o sujeito suposto saber – capaz de encobrir falta ou a castração do paciente. O paciente supõe imaginariamente o Outro como Absoluto, completo, e espera do analista que esse lhe entregue simbolicamente aquilo que lhe falta. Dessa forma, mantém-se a conduta amorosa recalcada, oculta, que resiste à recordação (que resiste ao Simbólico?). Essa suposição imaginário-simbólica é imanente a entrada em análise.

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Pensamentos sobre Atos Obsessivos e Práticas Religiosas, de Freud

Tanto os atos obsessivos quanto os cerimoniais religiosos carregam em si a renúncia a satisfação de certas moções pulsionais (estamos falando de princípio do Prazer ou de Realidade? Prazer porque o de Realidade aceita o desprazer como condição de sua existência), que já foram vivenciadas alguma vez por esses indivíduos. Seria, então, um ato obsessivo uma modalidade de sintoma?

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Além do Princípio do Prazer

Sob o domínio do Princípio do Prazer, o Eu evita o desprazer preferindo a renúncia pulsional do que a sua satisfação.

Se em termos dinâmicos a oposição seria ICS/CS x Reprimido, trocando em miúdos, aquilo que busca satisfação versus a dificuldade que se impõe a isso, o que temos?

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