A palavra e o invisível

Acho que a palavra assusta mais.

                              A palavra é possível de se achar.

   O invisível não anuncia sua chegada e nem sua estadia. Assim como seria possível temê-lo? Se mais adiante começar a se fazer notar por mim saberei de sua presença e me assustarei mais uma vez: é a palavra que volta. 

A suspeita de algo é preocupante, mas, creio que é a palavra quem assusta. Ouvi-la é ouvir toda uma série de coisas dolorosas,  uma cadeia longa de pensamentos amarrados, grudados, justapostos, empilhados e toda uma sorte de amontoamentos vem quando a palavra é dita. Dita por um outro – há que se dizer.

   É a palavra do Outro que nos assusta?

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Não acredite nessa história

Não acredite nessa história, mas presenciei seu acontecimento na década de 1930. Estou velho, cansado e um pouco esquecido. Mesmo assim, o enredo dessa minha lembrança é puramente verdadeiro. Não acrescentarei detalhes, tampouco omitirei qualquer um. É provável que o leitor desconfie de mim porque ela ocorreu há muito tempo, o que fará duvidar da minha memória e do meu caráter por contar uma história não verdadeira, ainda que seja verdade.

O cenário principal dessa história é uma pensão no centro da cidade em que vivi por algum tempo. A decoração interna estava repleta de objetos cor de grafite ou mais escuros, o que não fazia parte da moda daqueles anos, diga-se de passagem. Os móveis de madeira escura e muito bem ornamentada tinham o terrível costume de produzir rangidos durante a noite fazendo do ambiente um lugar pesado e sinistro.

A pouca ambição em cores também estava marcada no vestuário do casal donos da pensão. Suas roupas carregavam um ar triste. Ambos usavam chapéus acinzentados durante o horário comercial e ela gostava de usar uma manta preta sobre suas vestes, enquanto ele usava terno e camisa escura, vez ou outra optava por um terno marrom ou verde bem escuro.

Não sei dizer se eles eram felizes juntos, mas isso pouco importa, já que eu disse para você não acreditar na história, se bem que, de fato, o casal era incapaz de vibração sentimental.

Acho que vou parar por aqui. Do que interessa a vida dessas pessoas para você? Vai fofocar com alguém dezenas de anos mais novo que eu? Você não fará isso. Levante-se e siga sua vida, leitor! O que você pode saber sobre vibração sentimental? Qual sua idade? Vamos! Levante-se! Falarei sozinho. Meus ouvidos me dão mais atenção que você. 
…Parece que ainda assim você quer continuar.

Ela trabalhava todos os dias, o que me fazia pensar se para ela existia calendário. Durante o tempo que vivi lá eu conversei pouco com essa mulher. Ela não era nada simpática, dificilmente olhava seus clientes nos olhos e suas respostas eram curtas e diretas.

Quanto a ele sempre pairavam incógnitas, dúvidas e suspeitas. Há quem dizia que ele tinha outra mulher, outra pensão ou negócio, quem sabe outra família em outro bairro da cidade, já que era corriqueiro desaparecer por dias. Ao voltar para casa vinha desarrumado com forte cheiro de bebida e pouco desejoso da mulher.

Eu poderia resumi-lo como uma caricatura ambulante – suprimia traços de personalidade em todos os seus comportamentos. Sempre igual, até mesmo quando estava diferente: as brincadeiras que fazia nesses momentos eram sempre as mesmas. Ao chegar em casa depois de alguns dias vinha sempre com o chapéu torto, a gola desarrumada, a camisa fora da calça e o paletó era carregado pelo dedo indicador da mão direita por cima do ombro. Como essa história não aconteceu, então, poupemos o personagem da imagem pesada que você deve estar fazendo dele desrespeitando esse senhor.

Verdadeiramente a rotina dele era essa: ele se dirigia vagarosamente ao refeitório da pensão, que era simples com apenas um grande balcão e muitos bancos já desgastados. Ele se sentava como se fosse um hóspede. Inspirava ruidosamente e pedia um café. Olhava para o nada. Semblante pesado, toneladas de chumbo. Na inspiração barullhenta da segunda vez acendia um cigarro que pouco era fumado deixando-o no cinzeiro a queimar sozinho, enquanto aquela face de traços cansados, pesados e com a barba por fazer ficava apoiada com mão em cima do balcão. Nessas horas ele emitia seus sons para quem estivesse ao lado. É bem verdade que eu escutava mais grunhidos do que palavras.Parecia-me um animal ou um humano quedesdotou da linguagem verbal e facial. Você, leitor, já se deparou com uma criatura dessas? Não! Não estou falando desse papinho de santo que bate ou não bate. Se você quiser começar a falar de metafísica peço que parta daqui. Não estou em idade para falar disso. Já estou no fim da vida, já tenho meus problemas físicos e a paciência da juventude já se diluiu em décadas de vida. Recolha outros pensamentos na sua cabeça para entender o que digo sobre esse homem. Se você não entender esforce-se ou saia. Ainda poderá ser elegante você sair daqui, leitor.

Enfim, particularmente, eu não entendia seus sons, ou mesmo se carregavam algum significado, e parei de tentar entendê-lo depois que a cena se repetiu ao longo das semanas. Assim, eu apenas concordava com um sorriso ou com aceno de cabeça.

Um leitor sagaz poderá imaginar facilmente que havia entre ele e eu um descompasso de comunicação, já que da minha parte tentava fazer o mais rudimentar movimento humano de interação que me vinha à cabeça naquela época. Eu sentia desaparecer de mim meus traços humanos diante desse senhor e segurava com garras e dentes o que ainda restava de humanidade em mim na presença daquela figura viva. As poucas palavras da esposa poderiam devorar também minha humanidade, contudo isso não acontecia. Algo dela preservava qualquer coisa de humano em mim, mesmo sem poder dizer com certeza o que era: talvez, por ela se maquiar, ainda que precariamente. Ali me parecia que existia alguém na rupestre pintura da face.

Leitor, acho que podemos parar por aqui. Seguramente, você tem coisas mais importantes a fazer do que me ouvir contar uma verdadeira história ocorrida lá trás. As glórias de seu tempo são as minhas barreiras pessoais. Não posso com as tecnologias, e você não pode com aquilo que digo, pois já disse para não acreditar nessa história. Levante-se e ande. Vou ao banheiro. Lá devo encontrar alguém com quem conversar. Não me importo em deixar o que contava pela metade. 

Imaginei… você não suportaria deixar um velho como eu a falar sozinho. Seus rasos modos de educação não tolerariam tal comportamento. Talvez, quem sabe, algo daquilo que eu conto se prende em você. Continuarei sem que antes eu ofereça a você a saída novamente. 

Eu imaginava que a dona da pensão ficasse magoada com o marido nessa real história, afinal, ela levava uma vida muito tacanha, desditosa e funesta. Havia dificuldade em se saber se a pensão era a metáfora de como ela vivia sua vida ou se a vida era a metáfora de sua pensão.

Nas ausências do marido algumas coisas aconteciam na hospedaria: as lâmpadas queimavam, os chuveiros davam problemas, os vizinhos não queriam pagar, insetos invadiam os cômodos e etc. A limpeza da pensão também ficava por sua conta, mesmo que tivesse dois ou três funcionários, ela preferia limpar o carpete verde musgo do local. Frequentemente era possível vê-la de posse de balde, vassoura e pano. Leitor, ela não carece da sua pena, mesmo porque ela não existiu, muito embora, a história seja verdadeira até nos detalhes.

Havia semanas de paz e tranquilidade na pensão, há de ser dito, embora você não se interesse por isso. O que você quer é ouvir algo de ruim. Eu não me importo em contar os momentos de paz. Aquiete-se, então. Eram períodos em que o dono dormia e trabalhava por lá o dia inteiro junto com a mulher. Eu percebia que ela estava um pouco menos triste quando colocava um certo anel prateado na mão direita e um brinco vistoso; da parte dele não percebia mudanças, a não ser que vez ou outra um lenço branco decorava o bolso do paletó, mesmo assim, é impossível para eu dizer que ele fazia isso por estar feliz.

Contudo, algum dia as boas semanas teriam que acabar – não porque a vida seja triste ou alegre. Note, leitor, que eu já estou no fim da minha vida e não tenho mais tempo para acreditar em crendices, que as plantas nos ouvem, que os antepassados nos protegem ou que lá no céu há alguém de quem devemos atenção – uma vida pode ter momentos de tristeza, outros de alegria, desgraças, surpresas e etc. Não peço ao leitor que concorde comigo, tampouco que discorde. Não nos conhecemos mesmo e só vim aqui, a seu convite, contar uma história mais real do que aquelas que você acredita e propaga por aí.

Eu arrisco a dizer que ele saiu da pensão em uma terça a tarde. Ele passou por mim na escadaria falando algo e seguiu seu caminho sob uma chuva leve.

Ainda olhei para seu caminhar com muita curiosidade. Gostaria de saber como aquele homem andava.

Durante aquela noite fiz as coisas rotineiras incluindo descer para jantar. Havia muita gente naquele momento, pois com a chuva muitos hóspedes preferiram enfrentar aquela comida ao invés da tempestade. Era possível perceber de longe o cansaço da esposa e naquela noite foram as funcionárias que me atenderam colocando comida em meu prato. Comi, bebi e notei que o marido dela não estava lá, mas não estranhei – a não ser o fato de que ela usava o tal anel e os brincos. Isso me chamou atenção.

No dia seguinte por volta das oito da manhã de uma quarta-feira nublada ele voltou. A cena era praticamente igual, porém havia um detalhe diferente na figura daquele homem que se aproximava: sua camisa estava com três botões abertos. A esposa ao notar a presença do marido jogou o pano no balcão, imediatamente.

Ainda que essa história não tenha acontecido, tudo o que aqui que conto aconteceu. Notei que ela estava brava. Talvez, uma das poucas vezes que percebi vida naquela mulher de doentia lassidão. Ela estava com os mesmos brincos do dia anterior e eu imaginei que ela sequer tinha dormido durante noite esperando pelo retorno dele.

Com passos vagarosos ele se aproximou do balcão. Sentou-se dois bancos a minha esquerda e colocou o paletó entre nós. Não pediu nada e nem falou nada, tampouco tirou o chapéu sujo e molhado da cabeça. A esposa se aproximou dele pelo outro lado do balcão com passos rápidos e firmes.

Fitou-o. Observou que ele estava com botões abertos em uma quarta-feira fria e aquilo não fazia sentido. Ela levou sua mão na gola da camisa dele e abriu mais um pouco. Então, ela deu meia-volta em direção a saída do balcão e nesse momento as poucas pessoas que estavam no refeitório pararam para ver o que estava acontecendo.

Pois é, leitor, aqui seu interesse aumenta. Você quer saber o fim dessa história. Sinto que devo parar por aqui. Como vou saber se você é alguém de confiança ou só alguém que escuta um velho como eu? Se você pretende saber como termina a história significa que não devo ter muito apreço por você. Afinal, nem me conhece, tampouco os donos da pensão e mesmo assim quer saber o fim da história. Isso é curiosidade… mórbida.

Quando ela chegou por trás dele puxou-lhe a camisa com força para tirá-la, mas não saiu de todo, mais uma vez ela fez força e as costas do marido ficaram a mostra. Todos ali puderam notar que ele carregava arranhões. Se havia dúvidas do que acontecia nas noites em que ele sumia, agora, tudo estava resolvido, pelo menos para a esposa.

Ele sequer apresentava reação. Ficou parado na mesma, impassível. Era um corpo derrotado e indolente. A esposa não tinha aberto a boca desde a sua chegada. Na realidade, ninguém fazia qualquer barulho, todos estavam parados e olhando a cena inusitada.

Ela deu um empurrão nas costas dele e seu tronco ficou encostado no balcão frio. Os ossos da coluna ficaram visíveis tanto quanto os das costelas. Eu pude ver os arranhões que tinha e duas marcas de batom no pescoço ao mesmo tempo que a esposa descobria isso também.

A esposa colocou a mão no avental e tirou uma faca prateada e emitiu apenas um som, um grunhido agudo e selvagem enquanto atacava em um só golpe aquele corpo. Ela perfurou entre as costelas daquele homem com tamanha força que dias depois o legista informou-nos que seu golpe havia espetado o coração dele fazendo um pequeno furo. Aquele corpo excomungado e apático não gritou de dor e não tentou se defender, apenas emitiu um suave som, um sopro quase calmo, audível e, finalmente, debruçou-semorto com a cabeça no balcão oferecendo-meaos olhos as marcas de sexo que seu pescoço carregava.

Consciente e consciência (de)

Caberia na clínica psicanalítica um jogo, uma articulação, entre consciente (uma das instâncias psíquicas) e a consciência (de algo ou alguma coisa), que seria aquilo mais ligado a uma posição de si diante das suas escolhas, de suas ocupações ao longo da vida, de ter a noção dos caminhos de sua educação (erudição, se for o caso; diversão, por quê não?, em outro caso), também de suas relações com os outros no decorrer do tempo?

  • Quando a fantasia inconsciente (ou parte dela) é desvelada na análise, imagino que ela não passa a morar no consciente, digamos assim, e sim, que o sujeito tomaria consciência de sua existência. Assim, ainda que possam existir aproximações entre consciente e consciência (de) também há seus distanciamentos. A clínica psicanalítica não se ocupa de fazer o sujeito ter mais consciência, enquanto inflação do consciente, mas permitiria ao sujeito ter consciência de algo mantendo a morada (a residência de sua fantasia) inconsciente – o que poderia nos levar a um baita paradoxo já que como seria possível ter consciência de algo se isso ainda seria inconsciente? – o paciente ter consciência de sua fantasia ou parte dela não faria com que ela se mudasse para o consciente, ela continuaria sendo inconsciente. Contudo, o paciente poderia ter uma tomada de consciência de sua existência e aí o agir do sujeito poderia ser modificado a partir dessa tomada de consciência via revelação da fantasia porque teria a consciência de (aí entraria a fantasia desvelada na análise), mas não porque conscientemente tudo o que o paciente faz a partir de então seria modificado só porque a fantasia ou parte dela seria desvelada. 
  • Uma implicação possível disso, se é que faz algum sentido esse caminho, seria que enquanto em um dado momento se possível aproximar consciente e consciência de, em outro momento, haveria uma separação na qual não se poderia reduzir o consciente a consciência de e nem a consciência de ao consciente.

A gente é um pouco polvo

Às vezes a vida acaba nos dando duas opções instantâneas: ou se arreia e fica no lugar ou se segue andando mesmo que capengando. 

Eram destroços 

          de     um forte        a ci dent e 

que   meus     ol hos vi am. Ca cos de   vi d r o, 

s

   a

      n

          g

            u

               e 

incluindo o meu 

          m

     a          n

     c   h   a 

     v  a   m 

o chão e as poltronas do ôn   ib    u  s, 

além de partes reotrciedas e amassadas. Havia destroços sonoros 

      das 

  várias 

batidas 

                      do ônibus, 

                      dos gritos,

             dos passageiros. 

Eu estava isolado, 

ainda que acompanhado de inúmeros desconhecidos.        Seus nomes, 

                            medos, machucados, 

                            endereços e razões 

da viagem de cada um eu nada sabia.

…O desamparo era radical. …

Eu estava em um dos confins de nosso país, 

ainda que próximo de um grande centro – é verdade, mas 

nunca senti tanto o peso da distância             como naquela noite.

Depois do acidente o susto 

(ou não necessariamente nessa ordem ou sequer sem ordem alguma). 

…Estávamos todos sós, 

não sei dizer se também estávamos todos a sós…

mergulhados no que acabara de acontecer, e assim não poderíamos ficar. 

Algo em mim me impeliu ao contato com as outras pessoas. Das razões do meu movimento em direção ao contato com os outros viajantes não sei se vale a pena se debruçar sobre, pois me parece mais válido falar do que se produziu em mim. 

Dolorido, ensanguentado, assustado, preocupado, firme, consciente e dotado de uma capacidade de união desconhecida por mim mesmo fui até outras pessoas tão ou menos feridas e assustadas que eu. Trocar palavras foi essencial para mim. São meus braços de polvo, que me ligaram com tantas pessoas tanto quanto podia mexê-los. Fiz ligações com pessoas lá de dentro do ônibus e também com quem estava fora. 

Braços com ventosas!

Ventosas que me permitiam não desgrudar de quem eu tinha feito contato e nem que se desgrudassem de mim deixando-me novamente solitário e isolado. 

Mesmo assim, não foram poucas as vezes em que fiquei literalmente só. 

                                                     Não mesmo.

De repente, as pessoas se diluiam e sumiam tal qual um composto químico. 

Eu permanecia lá. Sólido, 

nos mais variados sentidos que se possa imaginar. Contudo, sem que de modo algum me resignasse. 

Aquilo que me moveu dentro do ônibus a me aproximar das pessoas e que me permitiu ir ao pronto socorro com duas pessoas que moram perto de mim, novamente, veio a tona. Braços novos: expansão do contato com o mundo através de palavras e gestos, incontáveis tateares com gente que nunca tinha visto e tampouco em um lugar em que eu sequer imaginava que existisse. Assim, me aproximei de outras pessoas e reforcei laços iniciados horas antes.

Levei um dia, talvez dois, para entender que eu não estava isolado, ainda que eu estivesse em isolamento geográfico. Havia aproximações afetivas durante todo o incidente – felizmente, os afetos desconhecem a geografia, as barreiras de distância e sabem muito bem onde devem nos atingir para que possamos seguir com a nossa escolha lá de trás (a do início do texto). Eu tinha escolhido seguir andando mesmo capengando. 

Palavras me escapam

pela boca, pelos dedos, pela cabeça

e até pelos ouvidos.

Reúno algumas delas

em sequências, às vezes mais longas, às vezes mais curtas.

Antes de escrevê-las eu não sei onde vão dar;

e cada um de vocês vão reordenar tantas outras palavras

conforme forem lendo meus textos que eu jamais saberei

onde isso vai dar em vocês…

Por ora será essa minha aventura: ordernar aquilo que me escapava de tantas formas

e me deixar escapar naquilo que vocês também deixarão escapar com minhas palavras.

Abre-alas

Precisei me mudar para poder dar tchau e sair de um lugar que em fiquei por anos. Só daqui, desse lugar novo, é que tive condições de olhar para a casa antiga como um passado, uma história vivida, experimentada e finalizada. 

Teria sido mais prático dar um adeus definitivo estando lá dentro do antigo lugar – como fazemos quando estamos saindo de casa, mas não foi a minha maneira. 

Levei um bom par de anos para poder entender que eu tinha uma maneira própria de me despedir daquilo que me foi gratificante, novo, divertido e criativo. Agora, remo meu barco da escrita com os meus braços, expondo minha pele e balançando sobre a maré. Força, angústia e náuseas me acompanharão nessa viagem onde o começo se faz de idéias, fragmentos, imaginações, papéis, lápis, dedos, telas, águas; e o fim? Seria muito apressado já pensar no fim disso quando ainda nem zarpei.

Assim, vou iniciando outra história, em outro lugar, com novos propósitos, com outros leitores… Fecho a porta que ficou aberta por anos e que o vento se negou a fazê-la por mim e/ou pelos outros. Passo a chave pela última vez e me dirijo ao meu novo lugar.